ARTIS 2017

ARTIS 2017
XV Festival de Artes de Seia

terça-feira, 24 de maio de 2016

REFLEXOS in ARTIS 2016 _



  
“Reflexos” - as obras explicadas pelos seus autores

PINTURA

  

 AMÉLIA VILAS BOAS





Título da obra: the Strength of Fragility (A Força da Fragilidade)
Tema: Reflection of the Invisible Soul (Reflexo da Alma Invisível)

“Um quadro ou um reflexo... No sentido de algo que se projeta a si mesmo em imagem… Pela Luz… Que determina o visível e o invisível, o claro e o escuro e/ou o obscuro…Reflexo projeção do objeto para além de si próprio… A minha pintura é o reflexo da minha essência mais profunda… E, recorrendo aos gregos Mais uma fantasmagoria do que uma imagem… Olhar a imagem, pensar e perguntar qual é o seu invisível in Teoria da Imagem e da Representação de Maria Teresa Cruz.”


BURT
  

Título da obra: “Enquanto espero…”


“O trabalho procura refletir sobre a ambiguidade do tempo e da própria vida. “Enquanto espero…” pretende ser uma reflexão sobre a vida, as experiências e sentimentos vivenciados, que o próprio tempo se encarrega de esbater ou minimizar a dor de lembranças, que nos conduzem, por vezes, de forma ambígua, ao sentimento melancólico da saudade.”


CRISTINA LOPES


Título da obra: Just blue and white (Apenas azul e branco), 2016


“Obra inspirada na calmaria de uma noite de verão. Não consegui ficar indiferente ao luar e imensidão do céu estrelado que observava. Aquele luar estava inspirador, então senti como que um arrepio ao ver aquela lua e elevei as mãos aos ombros apetecia pegar aquela lua, quiçá abraçar. Não apetecia dormir mas sim trabalhar (pintar) e fui. Tranquilamente, iniciei o meu trabalho, só azul e branco como o pedacinho do céu infinito que tinha acabado de observar. Com uma lua e um abraço. E assim a altas horas da manhã mais um “Bebé” iniciou a sua gestação.”


DÁLIA VALE RÊGO




 Título da obra: Reflexos, 2016

A peça apresentada foi realizada em técnica mista sobre tela e é uma reflexão sobre o caos de uma sociedade humana em permanente conflito.
A imagem mostra como os atos humanos se modificam e se sobrepõem à natureza mãe, transformando-a.
Todos os conflitos são representados através da forma aleatória e “anárquica” do movimento do pincel e da mancha.”



IRENE FELIZARDO




 Título da obra: “Reflexos”, 2016

“Reflexo é um termo muito polissémico, sendo utilizado em várias áreas do saber, da filosofia à botânica, da fisiologia à psicologia, etc.
Também as artes, e nomeadamente a pintura, utilizam o vocábulo. No caso concreto da pintura, mormente quando se pretende figurar o “efeito produzido pela reflexão da luz”.
Júlia Kristeva, estudiosa de linguística e literatura (búlgaro-francesa), afirmou um dia que uma obra de arte é filha da sua época. Quer isto dizer, que as obras de arte reflectem sempre o quadro de valores dominantes, num determinado período ou época. A nossa não será, seguramente, uma excepção. De um modo geral, pinta-se e escreve-se atendendo a códigos comummente aceites. Observar uma tela é fazer uma viagem. Pode ser uma pequena ou grande viagem, mas sempre uma viagem, durante a qual, o sujeito que observa tentará ler e compreender o que lhe é proposto pelo autor. No caso vertente, poderíamos falar de espiritualidade, transparência, leveza e alegria. Nestes meus “reflexos” há dois planos ou situações distintos: a situação exterior (o mundo), representando campos cantantes de cores; e, a situação interior (a mente do artista), onde as estalactites - e outros elementos- se reflectem na água existente na parte inferior. Não chega a haver uma descontinuidade total entre os dois planos. Há um ponto de passagem que permite a utilização de cores com tonalidades idênticas, que conferem unidade e beleza à obra.”



 IVO MOTA VEIGA




 Título da obra: Not War

“A sua paixão pela arte, tem como objetivo principal, transmitir sentimentos, vivências, sonhos, anseios e devaneios.
Pensa e sente sobre a vida real e tenta passar para a tela aquilo que poderia mudar, no sentido de construir um mundo diferente, mais belo e melhor.
Assumindo-se “multifacetado”, através de gestos instintivos, espalha diretamente as tintas na tela, onde o acaso e o aleatório determinam a evolução da pintura, transmitindo ao artista, uma satisfação e um prazer enorme.
Preocupado com as questões ambientais, algumas das obras, também são executadas através da temática reciclagem. O autor pretende mostrar que, através da imaginação e criatividade, podemos reaproveitar todo o tipo de material, que por norma deitamos fora.
Nas últimas duas décadas, o artista plástico tem exposto, com o objetivo de estimular as pessoas, a olharem para a arte como um importantíssimo manifesto intelectual da nossa cultura.”




J. M. COSTA




Título da obra: Reflexos de Marx, 2016

“O tema do festival – Reflexos, remete de imediato, como associação livre, para a célebre cena do espelho do filme dos Irmãos Marx, “Duck Soup”, de 1933. Com a obra pretende-se captar o absurdo da condição humana, a perplexidade da confrontação connosco próprios e a dúvida metódica sobre a essência da realidade, sob um fundo humorístico que nos ajuda a suportar a incredulidade existencial e as temáticas a que nos devemos submeter. Remetem-se para planos mais especulativos tudo o que já foi comentado sobre este filme icónico: uma paródia à velha Europa no ano da ascensão do nazismo ao poder na Alemanha, com olhar crítico e humorístico, não tão directo e acutilante como o “Grande Ditador” de Chaplin (1940) mas talvez por isso mais subversivo.”


JOÃO CARVALHO




Título da obra: “Urso de peluche”

“Ao contemplar um olhar sobre a vidraça, transmite-nos silêncio, paz de espírito, para podermos encantar com um universo infinito, perfeito, que procura incansavelmente a harmonia do equilíbrio.
Mas, por trás da vidraça, por vezes degradada, danificada, ficam os reflexos, as memórias vividas de um passado, ora alegre, ora de uma tristeza nostálgica, que nos fazem lembrar que o tempo é sempre o mesmo, mesmo quando envelhecemos.”




JOSÉ ROSINHAS

Título da obra: “OO”, 2015


“A obra, datada de 2015, adapta-se ao tema proposto “Reflexos”. As duas letras “O”, ou possíveis buracos para colocar os nossos olhos, poderão ser os indicadores para os mesmos, observarem o mundo que nos rodeia, e o que nós podemos fazer para melhorá-lo.
O melro surge como um auto-retrato do artista, e do ser humano, que tem de se adaptar ao Mundo que está em constante mudança.
Para sobreviver temos de saber “voar”.


LUIZ MORGADINHO


Título da obra: Reflexos, 2016

“A crise na banca e a contínua capitalização do sector por parte dos governos, manequins, marionetas manipuladas pelos grandes grupos económicos e pela banca internacional, conduziu à falência dos serviços públicos, nomeadamente nos sectores da educação, saúde e segurança social, e consequentemente descapitalizou as famílias, atirando-as para um empobrecimento abrupto e criando um fosso abissal entre ricos e pobres.
Uma Europa maioritariamente republicana e democrática, em que imperam demagogias e slogans, como a proclamada igualdade, fraternidade e liberdade. Mero devaneio da hipocrisia de uma classe política dominadora, semeadora de guerras e ódios, no Médio Oriente e em África que, apocalipticamente se poderá estender a todo o mundo, e nos instala numa nova era de medo e de terror, com atentados à bomba em larga escala sendo responsável por uma catástrofe humana sem precedentes, a crise dos migrantes.
O regresso dos muros, do arame farpado, o cimentar do fascismo e o crescente neonazismo, o ódio racial e a crescente falta de respeito pela vida, são o reflexo da má politica em prol do capitalismo selvagem de uma classe que se abasta a si própria, como se não houvesse amanhã, que tão pouco enxergam que hipotecaram o futuro dos seus filhos, dos animais e da natureza.”




LURDES RODRIGUES




Título da obra: O Outro Lado do Espelho

“Segundo a explicação enciclopédica, “um caleidoscópio ou calidoscópio é um aparelho ótico formado por um pequeno tubo de cartão ou de metal, com pequenos fragmentos de vidro colorido, que, através do reflexo da luz exterior em pequenos espelhos inclinados, apresentam, a cada movimento, combinações variadas e agradáveis de efeito visual”. O nome "caleidoscópio" deriva das palavras gregas, "belo, bonito", "imagem, figura" e "olhar (para), observar".
O meu objetivo ao responder ao desafio cujo tema proposto foi “Reflexos”, constituiu de imediato um desafio à minha criatividade e procura de uma linguagem mais abrangente para responder dignamente à proposta apresentada.
Tomando o reflexo como conceito e ponto de partida, a temática utilizada aponta para diferentes interpretações construtivas, desde a imagem refletida no espelho, a imitação simples e a reflecção de uma série de ações e formas com múltiplas leituras e interpretações (imagens, formas, ideias, sentimentos) ao reproduzirem-se podem gerar novas possibilidades e experiencias.
O meu trabalho foi desenvolvido tendo em mente, o reflexo do que somos, figurativo ou não, materializado em formas, cores, movimento, simetria e sentimentos que ficam registados implicitamente numa outra dimensão.”




M. SILVA CAMPOS
  

Título da obra: “Manipulações”, 2016

“Manipulados desde que nascemos, criamos sensibilidades, motivações e particularidades que julgamos únicas, numa eleição de sequências e reconstituições de histórias e espaços.
Conhece-te a ti mesmo, é um reflexo da consciência como parte sustentável e progressiva de contribuir para uma segurança interior.
O autoconhecimento, diálogo de reflexos de manipulações elaboradas de uma tradição cultural, são conversas consentidas de identificação e intervenção subjetiva, libertadas na imaginação e no processo criativo.”




 MAÍSA CHAMPALIMAUD



Título da obra: Baht #4

Tema: Reflexos da Tailândia

“Esta obra integra a série "Baht" nomeada em função da moeda tailandesa. Intrigada à descobrir novas formas e técnicas para se exprimir, a artista queria representar uma viagem realizada à Tailândia em Agosto de 2014. Em busca de explorar novos processos criativos, ativou sua memória com inspiração nos mercados, plantas e na vegetação tailandesa que a remetesse intensamente para a experiência vivenciada. A artista começou a desenvolver esta técnica utilizando papel e pastéis de óleo para expressar os mercados da Tailândia numa só cor. Inspirada nos registos fotográficos realizados na viagem, tornou seu trabalho mais abstrato como se estivesse a revelar os negativos das imagens.”



MANUELA TAXA


 Título da obra: Algas



“Os seres vivos que povoam o mar, a água e o seu movimento, a luz, a cor evidenciam efeitos e reflexos diversos. Algas, num traço gestual e espontâneo pretende mostrar essa multiplicidade.”



MARCO SANTOS




Título da obra: Os Dispensáveis, 2015


“Num mundo competitivo e frívolo, o ser humano é tratado como um mero ente numérico com um único propósito produtivo, descartável no momento em que deixa de ser necessário para um sistema que se alimenta do seu ser, que absorve a sua humanidade e o transforma num utensílio de duração limitada.“ (Texto de Elena Ojea)


MARIA BEATITUDE


Título da obra: Reflexão

“Num universo onde os reflexos de atitudes e comportamentos são analisados por toda a sociedade, as mulheres da série Alienadas surgem como mulheres alheadas do julgamento de uma sociedade global, valorizando ecos interiores, reflexos de comportamentos, modos, estados e emoções.”


 MÁRIO REBELO DE SOUSA


Título da obra: Descanso

“Descanso” é um tempo de reflexão onde paramos para melhor observar o que nos rodeia e o que nos vai na alma. Com traços simples, personagens sem rosto questionam-se e olham para nós ao mesmo tempo que vagueamos os pensamentos pelo infinito de pequenas coisas. Um mosaico de sentimentos rendilhados a tinta da china. A complexidade dos tempos e a simplicidade do gesto através de movimentos muito trabalhados e de um colorido vivo capaz de captar o essencial dos olhares ausentes e das expressões que se adivinham.”


 MAURÍCIO MIRA



  
Título da obra: Quebrar o Gelo

“Assim como o navio quebra-gelo, cuja proa tem um formato apropriado para quebrar o gelo permitindo que navegue através das águas geladas e siga em frente, o jovem português procura quebrar o gelo, sair da rotina, sair da inércia, transformar uma situação entediante em uma interessante, arrisca. “
e sentimentos rendilhados a tinta da china. A complexidade dos tempos e a simplicidade do gesto através de movimentos muito trabalhados e de um colorido vivo capaz de captar o essencial dos olhares ausentes e das expressões que se adivinham.”



MONTEIRO DA SILVA




Título da obra: Filosofia da Arte

“A obra “Filosofia da arte” propõe uma viagem ao mundo do sonho que nos embala quotidianamente em diversas circunstâncias. Os arabescos em traçado fino envolvem o espaço preenchendo-o como se de um véu se tratasse. Dúvidas, esperanças, espreitam de florestas escondidas onde se fundem ilusões em matizados dourados.
Os sonhos são pérolas cristalinas sobressaindo da obra como dádiva divina.
Espreitam rostos anónimos de entre as sombras e através do floreado delicado sente-se uma calmaria de luz suave.
Há uma procura constante de luz no escuro que se sente na maneira como se organiza o espaço pictural. Tentar preencher vazios através de personagens fugidios e da luz/sombra.”



PAULO MEDEIROS



Título da obra: Vidas, 2016

“Vidas que se movem, que se escondem por detrás de outras vidas. Crescem, florescem e avançam. Quem tomar a dianteira vai. Quem se esconder, fica.”


PEDRO CHARTERS D’AZEVEDO




 Título da obra: Reflexos Metálicos

“Fisicamente o reflexo é o fulgor que um corpo emite é uma emissão que depende do material em que é constituído o objeto, da sua capacidade de devolver a luz, da sua superfície refletora.
Tomando o reflexo como conceito, duas parábolas de sentido oposto emergem: a famosa história de Narciso e o conhecido conto de Borges - O Aleph. Ambas apontam para diferentes interpretações constitutivas do conceito do reflexo. Entre as duas parece ter-se imposto culturalmente a lenda negativa de Narciso, porque faz totalizar a ideia de reflexo na imagem do espelho.
Para mim, abordei simplesmente o reflexo da luz numa base metálica, sem captação de imagem. É simplesmente a devolução da luz numa superfície refletora que não capta imagem e não dá lugar a interpretações.
Fiz um quadro tão metálico quanto possível a fim de refletir a luz que lhe incide, contrastando as reflexões das várias superfícies pelos seus diversos suportes. Apesar de verdadeiramente metálica, a rede e as peças apostas que cobrem parte do quadro, refletem amplamente a luz mas o quadro propriamente dito já não.
O interessante desta abordagem é precisamente esta dualidade.”



RENATA CORADO




Título da obra: Carnaval II, 2014

“Neste quadro, onde há uma base cromática prévia, o colorido vai-se desenvolvendo em diferentes tons que se vão impondo durante a execução e que vão apontando para um resultado final que só então se começa a entrever, a ganhar vida. É o mundo interior, sentido através das emoções que se procura expressar com espontânea autenticidade.”






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